O perigo da sobrecarga é o incêndio

Fatalidade? Briga de casal? Gato mal feito? Nada disso… Conheça a causa por trás da tragédia que abalou o país e veja como você, profissional da eletricidade, pode ajudar a impedir outros casos assim.


Todo mundo ficou comovido com a catástrofe no centro de São Paulo durante o feriado de 01 de maio.

Depois de horas consumido pelo fogo, o edifício Wilton Paes de Almeida, uma construção moderna inaugurada em 1968 com base num projeto de 1961 do arquiteto francês Roger Zmekhol, acabou não aguentando e caiu. Sua estrutura, uma mistura de concreto, aço e vidro, não aguentou os mais de 600ºC do incêndio.

Embora o prédio tivesse sido tombado pelo patrimônio histórico, uma série de descasos do poder público acabou por fazer do edifício comercial de luxo um cortiço ocupado irregularmente por 150 famílias (400 pessoas no total) que, de um dia para outro, ficaram desabrigadas. Sem contar as vidas perdidas na tragédia.

Mas será que tudo isso poderia ter sido evitado? A resposta é quase tão assustadora quanto a tragédia: sim e não era tão difícil assim.

A causa do incêndio, confirmada pelo Secretário de Segurança Pública de São Paulo, foi um curto-circuito gerado por uma sobrecarga: numa mesma tomada, um microondas, uma geladeira e uma TV. Uma combinação tão comum quanto perigosa.

Numa instalação normal, pautada por materiais elétricos de qualidade e sistemas de proteção, essa sobrecarga poderia não atingir proporções tão grandes. Mas, num edifício com quase 60 anos e pelo menos 20 de descaso, com gatos elétricos (a energia vinha de um semáforo) precariamente improvisados e materiais inflamáveis (colchões, cobertores, roupas – itens comuns em qualquer residência), a combinação torna-se devastadora.

Segundo matéria da Abracopel, “no que se refere especificamente aos incêndios gerados por curtos circuitos, os dados mostram que nos últimos cinco anos de levantamento, os números só cresceram. Se em 2013 tínhamos um total de 200 incêndios, em 2014 o número subiu para 295 e, nos anos seguintes o cenário ficou ainda pior: em 2015 foram 441, em 2016 foram 448 e em 2017 subiram para 451. As mortes, infelizmente, também apresentaram um aumento”…

Há muitos anos o Procobre luta por melhoria das instalações elétricas. Em 2005 um levantamento mostrou a real situação das instalações elétricas dos edifícios de São Paulo. Apesar da gravidade da situação e da ajuda de inúmeras autoridades, levou quase 10 anos para que esses esforços culminassem na publicação da IT 41.

Você, profissional da elétrica, tem o dever e as ferramentas para impedir casos assim. Só você sabe como evitar que mais vidas sejam perdidas por erros banais que têm o potencial de causar destruição.


Leia a matéria da Abracopel sobre o acidente e os alarmantes números dos acidentes com instalações elétricas clicando aqui. Fatos são os melhores argumentos possíveis na hora de executar um projeto que pode salvar vidas.

Para saber mais sobre o acidente do Largo do Paissandu, clique aqui.


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