Disjuntor, condutor e curto-circuito

Na maioria das vezes, quando um incêndio acontece, a coisa mais comum que escutamos é: “incêndio causado por um curto-circuito”, não é mesmo?

Você sabia que somente em 2014, mais de 200 incêndios aconteceram no Brasil cuja origem foi a eletricidade.

Porque esses acidentes ocorrem?

Sabemos que a eletricidade é imprescindível e que, para você ler este texto, muita eletricidade foi e está sendo usada. Para que esta eletricidade, quando gerada, chegue à nossa casa, fios e cabos elétricos são utilizados.

O que precisamos saber é que esses fios têm uma limitação de passagem de corrente elétrica que depende do seu diâmetro, comumente chamada de bitola, mas tecnicamente conhecida como seção transversal. Esta seção, aliada a outros fatores, define a quantidade de elétrons (corrente elétrica) que podem circular por um cabo.

Como analogia tomemos como base um determinado rio com largura e profundidade x e y, que tem uma capacidade de passagem de água de Z litros por minuto. Se esta capacidade for ultrapassada, o rio transbordará. No condutor é a mesma coisa, porém ele não transborda, ele aquece.

Exceder a capacidade de condução de corrente de um condutor acarretará em um sobreaquecimento, que quando é pequeno, chamamos de sobrecarga e, quando é muito grande, de curto-circuito. É neste caso que entra o disjuntor, que na maioria das vezes, substitui o fusível.

O disjuntor tem a capacidade de interromper a passagem da corrente por um circuito (fio) em tempo suficiente para que o condutor não seja danificado, com isto há a preservação da instalação e não há chance de um princípio de incêndio que muitas vezes, evolui para uma catástrofe.

Disjuntor termomagnético

Tem a função de proteger os condutores do circuito a que está ligado e portanto, tem que ser coordenado com este condutor. Esta coordenação é feita levando em consideração vários fatores, tanto do condutor como do disjuntor, culminando em uma coordenação de curvas de atuação, que não vem ao caso aqui.

O disjuntor possui dois mecanismos de atuação do sistema de seccionamento (contato que abre para desligar o circuito). O primeiro é o térmico, que atuará em um caso de sobrecarga aquela pequena ultrapassagem da capacidade do condutor – este circuito está calibrado para seccioná-lo após um determinado tempo, não causando dano ao condutor e é tão menor quanto maior for a sobrecarga, ou seja, se a sobrecarga for 5% do limite, ele atuará em um tempo maior do que se a sobrecarga for de 20%, por exemplo. O segundo mecanismo é o magnético que atua instaneamente no caso de um curto circuito – aquele valor enorme que ultrapassa o limite do condutor – garantindo também a integridade do mesmo.

Como podemos ver, não é tão simples definir um condutor e sua proteção. Você deverá consultar um profissional habilitado, pois a simples substituição de um disjuntor por outro, se não forem avaliados alguns parâmetros, pode se transformar em um grave acidente.

Pense bem antes de reformar ou realizar sua instalação elétrica e contrate sempre profissionais atualizados.

Edson Martinho é Engenheiro Eletricista, palestrante e colunista.


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